Recusei o bafômetro. E agora? Entenda seus direitos e as etapas do processo
- Caio Suzin
- 15 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Este artigo tem como objetivo explicar, de forma clara e didática, quais são os direitos do condutor, o que a lei prevê em caso de recusa ao etilômetro e como funciona o processo administrativo de trânsito.
1. O que é o bafômetro (etilômetro)?
O bafômetro, tecnicamente chamado de etilômetro, é o equipamento utilizado para medir a concentração de álcool no ar alveolar do condutor. Seu uso é regulamentado por normas específicas do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), que determinam, entre outros pontos:
a necessidade de aferição periódica do equipamento;
a correta identificação do aparelho;
o preenchimento adequado do auto de infração;
a observância do procedimento legal durante a fiscalização.
Qualquer irregularidade nessas etapas pode comprometer a validade da autuação.
2. Sou obrigado a realizar o teste do bafômetro?
Não. A legislação brasileira não obriga o condutor a se submeter ao teste do bafômetro. A recusa é um direito, amparado pelo princípio constitucional de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.
É importante destacar, contudo, que a recusa não é crime, mas gera consequências administrativas, previstas no artigo 165-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como:
multa de valor elevado;
suspensão do direito de dirigir;
recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
retenção do veículo, nos termos da lei.
3. Quais são os direitos do condutor durante a abordagem?
Mesmo em uma blitz, o condutor possui direitos que devem ser respeitados. Entre eles:
tratamento respeitoso e sem constrangimentos;
informação clara sobre o procedimento adotado;
correta identificação do agente de trânsito;
observância das normas legais e administrativas;
direito ao contraditório e à ampla defesa.
O descumprimento dessas garantias pode ser analisado no âmbito administrativo.
4. A recusa ao bafômetro gera punição automática?
Não. A recusa ao bafômetro inicia um processo administrativo, mas não representa uma condenação automática e incontestável.
Para que a penalidade seja válida, o órgão de trânsito precisa cumprir uma série de exigências legais, como:
preenchimento correto do auto de infração;
observância dos prazos legais;
respeito ao devido processo administrativo;
possibilidade real de apresentação de defesa e recursos.
Cada caso deve ser analisado de forma individual e técnica.
5. Quais são as etapas do processo administrativo de trânsito?
O processo administrativo segue as seguintes fases:
1. Defesa Prévia
É a primeira oportunidade de manifestação do condutor. Nessa fase, analisam-se aspectos formais da autuação, como erros no auto de infração ou irregularidades no procedimento.
2. Recurso à JARI
Caso a defesa prévia seja indeferida, é possível recorrer à Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI), onde são avaliados os argumentos jurídicos e administrativos apresentados.
3. Recurso ao CETRAN
Persistindo o indeferimento, ainda é possível recorrer ao Conselho Estadual de Trânsito (CETRAN), última instância administrativa.
Cada etapa possui prazos específicos, critérios próprios e documentação adequada.
6. Por que a informação jurídica é tão importante nesses casos?
O direito de trânsito é um ramo técnico, repleto de normas, resoluções e detalhes procedimentais. A falta de informação pode levar o condutor a:
perder prazos importantes;
apresentar defesas inadequadas;
aceitar penalidades sem compreender o processo;
tomar decisões precipitadas.
A orientação jurídica adequada permite compreender o caminho legal, os direitos envolvidos e as possibilidades existentes dentro da lei.
Considerações finais
Recusar o bafômetro é um direito do condutor, mas essa decisão traz consequências administrativas que precisam ser tratadas com seriedade e atenção. Conhecer o procedimento, entender as etapas do processo e saber que existem garantias legais é fundamental para exercer o direito de defesa de forma consciente.
Informação não elimina o problema, mas traz clareza, segurança e responsabilidade diante de uma situação que costuma gerar medo e insegurança.

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